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Exame

Фандом: Harry Potter

Создан: 10.04.2026

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ФэнтезиСеттинг оригинального произведенияПовседневностьHurt/ComfortДрамаЗанавесочная историяCharacter study
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O Constrangimento na Toca

A luz da manhã de domingo entrava pelas janelas tortas d’A Toca, iluminando a poeira que dançava no ar da cozinha. Para Gina Weasley, no entanto, o dia não tinha nada de bucólico ou tranquilo. Ela estava sentada à mesa de madeira rústica, balançando as pernas com um nervosismo que tentava disfarçar a todo custo, enquanto observava sua mãe, Molly, organizar alguns frascos de poções e pergaminhos médicos sobre o balcão.

Desde que Gina começara a reclamar de um desconforto persistente e de uma pressão estranha na região pélvica e abdominal, Molly, com seu instinto protetor e seus conhecimentos de medibruxaria doméstica, assumira a missão de descobrir o que havia de errado. O problema era que os métodos de diagnóstico de Molly às vezes eram práticos demais para o gosto de uma adolescente de catorze anos.

— Mamãe, eu já disse que estou bem melhor hoje — mentiu Gina, sentindo uma pontada aguda que a fez contrair o rosto por um milésimo de segundo. — Deve ter sido apenas aquele pudim de rins que o papai insistiu em fazer no jantar.

Molly virou-se, limpando as mãos no avental florido, com uma expressão que misturava carinho e uma determinação implacável.

— Gina, querida, você está pálida e mal conseguiu subir as escadas ontem à noite sem gemer de dor — disse Molly, aproximando-se da filha. — Eu consultei o Guia de Curandeiro da Família e os sintomas podem indicar desde uma simples obstrução mágica até algo que precise de uma intervenção direta. Eu preciso examinar você adequadamente.

Gina sentiu um frio na espinha. Ela conhecia aquele tom de voz. Era o tom de "não aceito discussões".

— Você já me deu aquela poção laxante horrível e o chá de raiz de cuia — argumentou Gina, levantando-se da cadeira como se estivesse pronta para fugir para o jardim. — Não precisa de mais nada. Eu vou dar uma volta com a Hermione e...

— Você não vai a lugar nenhum até que eu tenha certeza de que não há nada inflamado — interrompeu Molly, apontando para a escada. — Suba para o meu quarto. Agora.

Dez minutos depois, o quarto de Molly e Arthur parecia excessivamente silencioso. Gina estava sentada na beira da cama grande, os dedos entrelaçados com força. Molly entrou trazendo uma bacia com água morna, uma toalha limpa e um frasco de óleo de amêndoas encantado, usado frequentemente para curar irritações de pele e facilitar exames.

— Deite-se de lado, Gina — instruiu Molly, colocando os objetos na mesa de cabeceira. — E tente relaxar os músculos.

Gina arregalou os olhos, a ficha finalmente caindo sobre o que exatamente sua mãe pretendia fazer.

— Espera aí... o que você vai fazer? — perguntou a garota, a voz subindo uma oitava.

Molly suspirou, calçando um par de luvas de pelica fina, tratadas para serem esterilizadas magicamente.

— Eu preciso fazer um exame de toque retal, Gina. É a única forma de sentir se há algum endurecimento ou obstrução que as poções não alcançaram. É um procedimento padrão, até mesmo no St. Mungus.

— Nem pensar! — Gina saltou da cama, o rosto ardendo em um tom de vermelho que rivalizava com seus cabelos. — Mãe, isso é... isso é humilhante! Eu não vou deixar você fazer isso!

— Não seja boba, sou sua mãe — disse Molly, com paciência, mas sem recuar. — Eu troquei suas fraldas por anos, limpei cada centímetro de você. Não há nada que eu não tenha visto.

— Isso foi quando eu tinha dois anos! — protestou Gina, recuando até a parede. — Agora eu sou quase uma mulher! Eu tenho dignidade! Chame o Curandeiro Dilwyn, mande-me para o hospital, mas não faça você mesma!

— O St. Mungus está lotado por causa daquela epidemia de Varíola de Dragão em Essex, Gina. Não vou fazer você esperar seis horas em uma fila para algo que eu posso resolver aqui em cinco minutos — Molly deu um passo à frente, segurando o frasco de óleo. — É para o seu bem. Se for uma apendicite mágica ou uma torção, cada minuto conta.

— Eu prefiro que meu apêndice exploda! — exclamou Gina, cruzando os braços com força sobre o peito. — Por que você não usa um feitiço de diagnóstico? Aquele que faz a luz brilhar onde está a dor?

— Eu já usei, e a luz foi inconclusiva porque a área está muito congestionada — explicou Molly, aproximando-se novamente. — Pare de teimar, Georgina Molly Weasley. Quanto mais você lutar, pior será. Se você relaxar, eu terminarei antes que você possa contar até dez.

Gina olhou para a porta, mas Molly fora esperta o suficiente para trancá-la com um feitiço silencioso assim que entraram. A adolescente sentia uma mistura de fúria e vergonha absoluta. A ideia de sua mãe realizando um exame tão íntimo era o ápice do pesadelo adolescente.

— Isso é abuso de autoridade materna — resmungou Gina, as lágrimas de frustração começando a surgir nos cantos dos olhos. — Eu nunca mais vou conseguir olhar para você no café da manhã sem lembrar disso.

Molly suavizou a expressão, sentando-se na beira da cama e fazendo sinal para a filha se aproximar.

— Querida, eu sei que é desconfortável e constrangedor. Eu também odiava quando minha mãe fazia isso comigo. Mas a saúde vem antes do orgulho. Você está com dor, e eu não consigo dormir sabendo que você pode estar sofrendo por algo que eu posso diagnosticar. Por favor, confie em mim.

Gina bufou, seus ombros caindo. Ela sabia que tinha perdido a batalha. A dor em seu ventre deu outra fisgada, lembrando-a de que, apesar da teimosia, ela realmente não estava bem.

— Promete que vai ser rápido? — perguntou ela, a voz pequena e trêmula.

— Prometo — disse Molly com sinceridade. — Agora, deite-se de lado e puxe os joelhos em direção ao peito.

Com movimentos lentos e uma relutância visível em cada centímetro de seu corpo, Gina obedeceu. Ela se deitou na cama de casal, virada de costas para a mãe, escondendo o rosto no travesseiro que cheirava a lavanda e ao tabaco de cachimbo de seu pai. Ela sentiu o frio do óleo de amêndoas sendo aplicado nas luvas de Molly e fechou os olhos com tanta força que viu estrelas.

— Tente respirar fundo, Gina — orientou Molly, sua voz agora profissional e calma. — Não prenda a respiração, isso só faz os músculos se contraírem.

— Eu odeio isso... eu odeio tanto isso... — sussurrou Gina contra o travesseiro.

— Eu sei, querida. Já vai começar.

Gina sentiu o toque inicial e soltou um arquejo de surpresa e desconforto. Era uma sensação invasiva e estranha, algo que fazia seu estômago dar voltas, mas não de um jeito bom. Ela enterrou o rosto mais fundo nas fronhas, desejando que o chão da Toca se abrisse e a engolisse para sempre.

— Mãe, para... — ela pediu, a voz abafada.

— Só mais um momento, Gina. Estou sentindo... — Molly concentrou-se, seus dedos habilidosos buscando qualquer anomalia. — Hum, aqui. Há uma tensão incomum bem aqui.

Gina soltou um gemido baixo, não apenas de vergonha, mas porque o toque de Molly havia pressionado exatamente o ponto que latejava há dias.

— Dói aí? — perguntou Molly.

— Sim! — exclamou Gina, as unhas cravadas no lençol. — Dói muito!

— É o que eu temia — disse Molly, retirando a mão e rapidamente limpando a área com a toalha morna e um feitiço de limpeza instantâneo. — Pode se recompor, querida. Já acabou.

Gina não esperou um segundo. Ela se levantou e ajeitou suas roupas com uma pressa frenética, o rosto ainda em chamas. Ela se recusava a olhar para a mãe, mantendo os olhos fixos em um quadro de um pomar na parede oposta.

— E então? — perguntou Gina, tentando recuperar sua postura desafiadora, embora sua voz ainda estivesse instável. — O veredito da Curandeira Weasley?

Molly estava retirando as luvas, sua expressão agora séria e preocupada.

— Você está com um acúmulo de resíduos mágicos nos intestinos, Gina. Provavelmente por causa daquelas Gemialidades que seus irmãos andam testando. Você andou comendo algum daqueles Caramelos Incha-Língua ou algo do tipo?

Gina hesitou. Fred e Jorge tinham dado a ela alguns protótipos de "Trufas de Teletransporte Parcial" na semana passada. Eles disseram que ainda não estavam perfeitas, mas ela queria ajudar.

— Talvez... — admitiu ela em voz baixa.

— Pois esses doces causaram um bloqueio — disse Molly, cruzando os braços. — O exame confirmou que a área está inflamada devido à magia mal processada. Se eu não tivesse verificado, isso poderia ter evoluído para uma infecção séria.

Gina sentiu um pouco da raiva desaparecer, substituída por uma culpa incômoda.

— Então... o exame foi necessário?

— Foi — afirmou Molly, aproximando-se e colocando a mão no ombro da filha. — E agora que eu sei exatamente onde está o problema, posso preparar a poção de purificação correta. Você vai ter que ficar de repouso hoje.

Gina suspirou, finalmente olhando para a mãe. O constrangimento ainda estava lá, uma nuvem espessa entre as duas, mas o alívio de saber o que tinha também era real.

— Eu ainda acho que foi traumático — resmungou Gina, tentando esconder um pequeno sorriso de gratidão.

— O trauma passa, a saúde fica — brincou Molly, dando um beijo na testa da filha. — Agora, vá para o seu quarto. Vou trazer a poção em vinte minutos. E Gina?

— Sim?

— Se eu descobrir que Fred e Jorge estão usando você como cobaia de novo, eles vão desejar que o único problema deles fosse um exame de toque.

Gina soltou uma risada curta, a primeira do dia.

— Pode deixar, acho que eu mesma vou dar uma surra neles assim que eu conseguir andar sem sentir que estou carregando um balaço na barriga.

Enquanto Gina saía do quarto e subia para o seu próprio refúgio no sótão, ela sentia que, apesar de ter passado pela experiência mais embaraçosa de sua vida, a segurança de estar sob os cuidados de Molly era algo que ela não trocaria por nada. Mesmo que isso envolvesse métodos que ela preferiria esquecer para sempre.

Lá embaixo, na cozinha, ela ouviu Molly começar a picar ingredientes com uma energia renovada, possivelmente já planejando o sermão que daria nos gêmeos. Gina deitou-se em sua cama, fechou os olhos e respirou fundo. O pior já tinha passado. Pelo menos até a próxima invenção de Fred e Jorge.
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